Doenças

Terapia Imunobiológica

06/03/2018
Nos últimos anos o tratamento das doenças sistêmicas inflamatórias avançou rapidamente com o surgimento dos medicamentos imunobiológicos. Essas novas terapias foram introduzidos no Brasil na década de 90 e revolucionaram o tratamento, atingindo níveis controle nunca antes visto. Doenças como Artrite Reumatóide, Espondiloartrites, Artrite Psoriásica, Lupus Eritematoso Sistêmico, entre outras, foram imensamente beneficiadas.

Essas terapias imunobiológicas se desenvolvem a partir de biologia molecular avançada, com pesquisas de elevado custo financeiro e tempo prolongado, envolvendo centenas de pacientes antes de serem aprovadas. São substâncias terapêuticas produzidas por sistemas biológicos vivos, com estrutura molecular complexa, de alto peso molecular e semelhante às proteínas humanas, interagindo com alvos bem específicos. Diferentes dos medicamentos convencionais, os imunobiológicos interagem contra elementos chaves no processo de cada patologia - citocinas, receptores e fatores de estimulação celular - diminuindo a cascata inflamatória. O melhor entendimento sobre as próprias doenças também possibilitou essas descobertas e avanços.
 
Existem varias classes de medicamentos imunobiológicos, como Anti-TNF alfa, Anti- receptor IL-6, Anti IL 12\23, Anti IL 17, Anti IL-1, CTLA 4, Anticélula B (Belimumabe e Rituximabe), com suas respectivas indicações de uso.
 
Felizmente, nem todos os paciente necessitam usar este tipo de medicamento, somente aqueles casos mais graves que falharam em atingir o alvo terapêutico pré-estabelecido de cada doença. Geralmente são utilizados após falha na tentativa de controlar a doença mesmo com o uso de medicamentos convencionais isolados ou combinados durante tempo determinado. É fundamental realizar acompanhamento regular com especialista, que poderá indicá-lo, caso seja necessário, sem maiores atrasos.

Antes de iniciar algum imunobiológico, respeitando a indicação obviamente, o paciente precisa passar por uma avaliação rigorosa, que envolve uma serie de exames para detectar possíveis contra-indicações. Certas situações são impeditivas ao uso destes medicamentos como tuberculose, infecções bacterianos agudas, herpes zoster, câncer nos últimos 5 anos, gestação atual, hepatites virais, problemas cardíacos e outros fatores.

Essa parte é fundamental para evitar possíveis problemas no futuro. O médico sempre avaliará todos esses fatores e decidir o melhor caminho junto ao paciente. Os fármacos imunobiológicos não são comercializados, de rotina, nas farmácias. São medicamentos de muito alto custo. O acesso à maior parte deles é prevista em Diretrizes
Terapêuticas do Ministério da Saúde, sendo portanto disponíveis através da atenção farmacêutica especializada do Sistema Único de Saúde (SUS) ou custeio pelos Planos de Saúde, sempre que observados critérios médicos para sua indicação.
Sociedade de Reumatologia do Rio Grande do Sul